CRISTO, A NOSSA PÁSCOA (Pr.Antonio Sérgio Araújo, Th.D)

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A PÁSCOA – o dia e a época de cada ano quando a igreja comemora a ressurreição de Jesus Cristo -, é uma das celebrações mais importantes do cristianismo desde tempos imemoriais. Sendo, portanto, a mais antiga das festas móveis, sua data determina a maioria dos eventos no calendário da liturgia cristã no Ocidente.

É necessário destacar que, historicamente, a páscoa judaica relaciona-se com a décima praga – a morte dos primogênitos egípcios e a saída dos hebreus do Egito(Êxodo. 12:1 ss). O sinal do sangue posto nas portas seria a garantia de que Deus pouparia os hebreus da morte no Egito. O substantivo “pesah” é derivado do verbo pãsah, “passar por cima”, no sentido de “poupar” (Ex 12.12-13). A páscoa também é associada com a festa dos pães asmos (hag hammmassôt), quando toda levedura (fermento) deveria ser terminantemente excluída das mesas dos hebreus (ex 12.7). Assim, no entardecer do dia 14 de Nisã (abibe, março/abril), os cordeiros da páscoa eram mortos e, depois de assados, comidos com pães asmos e ervas amargas (Ex 12.8), para que todos os hebreus recordassem a saída rápida, a amarga e cruel escravidão no Egito que perdurou por mais de quatrocentos anos, bem como o grande livramento do Senhor Deus, libertando-os com poder.

 Nos tempos do Antigo Testamento, os hebreus negligenciaram freqüentemente, as observâncias da páscoa.Depois do Sinai (Números 9.1-14), nenhuma ocorreu, a não ser após a entrada em Canaã (Josué 5.10). Os reis reformadores Ezequias (2 Crônicas 30) e Josias (2 Reis 23.21-23; 2 Cr 35) deram atenção à observância da páscoa. E, logo após a dedicação do segundo templo, foi celebrada uma páscoa notável e cheia de alegria (Esdras 6.19-22). Aexperiência páscoa devia ser repetida a cada ano, como forma de fixar na memória o grande evento libertador do povo de Deus; sobretudo, como forma de instrução às novas gerações, que precisariam conhecer o amor de Deus para com Israel (Ex. 12.24-27).

Mas, o que a páscoa representa para a igreja cristã? E, principalmente, para os cristãos dos dias atuais?

Antes, recordemos que, uma das questões mais debatidas ao longo dos séculos pela igreja tem sido a data da celebração da páscoa. O Concílio de Nicéia (325 a. D), – o primeiro concílio ecumênico da história da igreja, convocado pelo Imperador Constantino, em Nicéia, na Bitínia (hoje, Isnik, na Turquia)para resolver o cisma na igreja, provocado pelo arianismo (que negava a divindade do Filho de Deus). Entretanto, vale salientar que isto foi feito, teológica e politicamente, por meio de uma confissão de fé, o chamado Credo de Nicéia, redigido por mais de 325 bispos, que representavam quase todas as províncias orientais do império (onde a heresia estava centralizada) e, por uma representação simbólica do Ocidente -, adotou o domingo de cada ano logo depois da lua cheia após o equinócio da primavera (21 de março). Assim, numa tentativa de resgatar a unidade da igreja, o segundo domingo de abril, tem sido adotado pelas igrejas cristãs em todo o mundo, como forma conciliadora desta unidade.

João batista, o precursor do Messias, ao ver Jesus Cristo, afirmou: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29; 33). A morte de Cristo na época da páscoa judaica era considerada pela igreja antiga muito importante. Paulo chama Cristo de “a nossa páscoa” (1 Co 5.7 b), o que deixa claro a vinculação de seu sacrifício no calvário com a páscoa judaica e, portanto, com a salvação dos que crêem.

O aspecto mais importante para os cristãos hoje é, na verdade, relembrar que, o sacrifício de Jesus Cristo, rememorado na celebração da Ceia cristã, é símbolo do triunfo e vitória da vida sobre a morte, pois o “Cordeiro que foi morto” (João 1.29), ressuscitou, vive, reina e voltará. A comunhão à mesa relembra, portanto a comunhão do Messias com os pecadores, e que chegou ao seu clímax na Sua auto-identificação com o pecado do mundo no calvário. Desse modo, tinham comunhão com o Jesus ressurreto por meio da lembrança de sua morte.  Logo, como a Ceia os relacionava com o futuro e a glória de Cristo, ligava-os também à sua morte de uma vez por todas e, ao seu reino que já é, mas ainda será plenamente no dia final quando ele voltar para glorificar a Igreja.

Desta forma, há na celebração da Ceia do Senhor, um rememorar e, por outro lado, uma constante renovação da aliança entre Deus e sua igreja por meio de Cristo Jesus que ressuscitou e vive. A palavra “memória” (gr. anamnésis) refere-se, não simplesmente ao homem, que se lembra do Senhor Jesus, mas também à lembrança que Deus tem de seu Filho, o Messias, da sua aliança e da sua promessa de restaurar o reino. Na celebração da páscoa cristã, a Ceia do Senhor, tudo isso deve ser levado diante de Deus em verdadeira e constante oração intercessória para que Cristo reine entre os seus filhos. Que Cristo, “a nossa páscoa”, seja sempre a perene lembrança do amor de Deus para com sua igreja e toda a humanidade. Sim, amor sincero, leal e sacrificialque deve nos unir e capacitar sempre a amar uns aos outros no amor de Jesus Cristo, o Senhor. Feliz páscoa!

Pr. Antonio Sérgio de Araújo Costa, Th.D

Igreja Batista Bethléem em Vitória da Conquista, BA

                         prasergioc@hotmail.com


[1]. ENCICLOPÉDIA HISTÓRICO TEOLÓGICA DA IGEJA CRISTÃ. Vol I.,  A Ceia do Senhor, ( pp., 262-264; Concílio de Nicéia – pp. 309-311); Vol III., Páscoa, (pp., 101-103).