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PREGAÇÃO E EXPANSÃO MISSIONÁRIA
TEXTO: Mat. 28.18-20
INTRODUÇÃO:
Há dois mil anos na Judéia ocupada e dominada por forças romanas, Jesus – o Nazareno, o Messias rejeitado pelos Judeus; Ele, que há pouco tempo havia sido crucificado por ordem de Pôncio Pilatos, o Governador da Judéia, agora, contudo, ressurreto e antes de ascender ao Pai Celestial – reuniu pela última vez os seus, um pequeno grupo – constituído pelos Onze Apóstolos e cerca de quinhentos discípulos, para lhes fazer saber mais uma vez o eterno plano de deus: salvar o mundo pela pregação do evangelho! Num monte da Galiléia, ecoou a voz do Salvador do mundo: “portanto ide, fazei discípulos de todas as nações… E eis que eu estou convosco todos os dias até á consumação dos séculos.”
A pregação neotestamentária é por natureza essencialmente missionária, pois, como diz corretamente Henri de Lubac1: “Missões é a Missão da Igreja.” É para isto que a igreja existe, ou seja, glorificar a Deus enquanto adora e, igualmente realiza a evangelização das nações. Deus estabeleceu apenas um alvo: alcançar e salvar o mundo pela pregação do evangelho de Jesus Cristo. É para isto que a Igreja existe.
Conforme os Evangelhos nos textos que consubstanciam a fundação da Igreja, os mesmos explicitam a sua Missão no mundo. Diz-nos Mateus: “… Fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28.19); Cena idêntica registra Marcos, onde as Palavras do Senhor precede a Ascensão: “ … Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”(Mc. 16.15); O relato de Lucas é marcante e esclarecedor: “Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer, e ressuscitar… e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados, a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas…” ( Luc. 24.45-49; At. 1.8). Em João, o Senhor ordena: “Como o Pai Me enviou assim Eu vos envio; depois soprando sobre eles diz-lhes: Recebei o Espírito Santo; aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados” ( Jo 20.16-23).
Estes textos notem bem, são a Carta de fundação da Igreja. Ora estes mesmos textos, são também a Carta de fundação das Missões. Na verdade, pela pregação do Evangelho a igreja cumpre a sua missão primordial no mundo, isto é, conduzir os pecadores a Cristo Jesus, o Salvador e Senhor. Assim, objetivamos nesta breve preleção demonstrar que a pregação é o elemento fundamental para a expansão da igreja de Cristo na terra, bem como de que todos os servos de Deus somos responsáveis pela realização da mesma (Mc 16.15; Atos 1.8).
A PREGAÇÃO QUE PROMOVE A EXPANSÃO MISSIONÁRIA…
- I. ESTÁ FUNDAMENTADA NO GRANDE IMPERATIVO DIVINO.
“PORTANTO IDE 2…”. No texto grego, a forma verbal está no particípio passivo aoristo, que literalmente dá a idéia de “enquanto indo”, pregai. Entretanto, em conjunção com o verbo “fazei”, a idéia está corretamente expressa como “indo, portanto, fazei”… Como discípulos de Jesus, nós temos de ir e fazer discípulos por toda a parte.
- Cumprir o IDE, significa fazer a vontade de Deus, o Pai.
2. Cumprir o IDE, significa fazer a vontade de Jesus, o Senhor da igreja.
É relevante e profunda a afirmação de William Carey³, nomeado em 1793 pela Sociedade de Missões Estrangeiras da Inglaterra para servir na Índia. Considerado pelos estudiosos do movimento missionário, como o pai das missões modernas, ele disse:
Apesar de tudo, Deus está comigo. Sua Palavra é a verdade segura; e ainda que as superstições do paganismo fossem mil vezes piores do que são, ainda que fosse abandonado pelos meus e perseguido por todos, minha esperança, fundada na Palavra viva de Deus, permanecerá sobre todos os obstáculos, e triunfará de todas as provas. A causa de Deus triunfará e eu sairei destas angústias qual ouro purificado pelo fogo.
A PREGAÇÃO QUE PROMOVE A EXPANSÃO MISSIONÁRIA…
- II. TEM COMO META SUPREMA ALCANÇAR TODO O MUNDO
“… FAZEI DISCÍPULOS DE TODAS AS NAÇÕES…”
- O Deus Eterno Ordenou: fazei discípulos de todas as nações.
- Missões é a missão primordial da Igreja do Senhor Jesus.
Para realizar tão grande tarefa a igreja precisa ter a visão de seu Senhor. Ele diz aos seus discípulos:
“… Levantai os vossos olhos, e vede as terras que já estão brancas para a ceifa. E o que ceifa recebe galardão, e ajunta fruto para a vida eterna; para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem” (Jo. 4.35-36). No livro de Atos, Lucas define a “Grande Comissão” (Mateus 28.19,20), nos seguintes termos: “Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samária e até os confins da terra” (Atos 1.8). O texto, portanto, enfatiza a expansão geográfica da Igreja, desde Jerusalém até os confins da terra. A possibilidade de que muitos teriam de morrer como mártires, é ressaltada na expressão “marturion”, que indica testemunhar até morrer, se necessário (Atos 7.55-60).
Estamos comprometidos com a conquista das nações para Cristo?
A Igreja precisa mobilizar todas as suas forças para cumprir a Grande Comissão!
A PREGAÇÃO QUE PROMOVE A EXPANSÃO MISSIONÁRIA…
- III. CONTA COM GRANDIOSAS PROMESSAS DO SENHOR.
“… E pregai a toda a criatura. E eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.
- A igreja compete levar o evangelho a toda a criatura. Eis sua missão intransferível!
- O Senhor prometeu abençoar com a sua presença a sua Igreja.
A presença do Senhor revigora e anima os fiéis na luta contra o mal e o pecado. O homem sem Deus e sem salvação é objeto do imensurável amor de Deus. A Igreja cabe alcançá-los com as boas novas de salvação. Pensando sobre o tema, Robertson, 4 afirmou:
Trata-se do mais sublime dos espetáculos contemplarmos o Cristo ressurreto sem dinheiro, exército ou Estado, a encarregar o seu grupo de Quinhentos homens e mulheres da conquista do mundo, levando-os a crer ser possível realizar tal tarefa com tão séria paixão e poder. O Pentecostes ainda viria, mas a fé dinâmica já orientava os crentes naquela montanha da Galiléia.
Em Atos 2.1ss, logo após a descida do Espírito Santo, Lucas enfatiza que estavam presentes em Jerusalém, por ocasião do Pentencostes, “… Judeus e prosélitos de todas as nações.” Toda aquela multidão reunida representava para Lucas o início do cumprimento da Grande Comissão, da evangelização do mundo inteiro. Nada deve deter o plano de Deus, pois somente Jesus pode salvar o pecador perdido de todas as nações. O Pr. Gerson Rocha 5, refletindo sobre a obra missionária, conta-nos de uma entrevista interessante:
Quando perguntei ao missionário Gunther Carlos, que trabalha entre os índios Xerentes: “Por que você está tão magro?” – Ele respondeu: “Deus não pede só a nossa alma, mas pede também o nosso corpo para que seja apresentado a Ele como sacrifício vivo, santo e agradável. Nesta obra entre os índios, o corpo tem que ser entregue mesmo. Sei que estou magro, mas não vivo para preparar um grande banquete para os vermes. Quando eu partir para estar com Cristo, os vermes nada terão senão ossos para se banquetear.
Muitas vezes o sacrifício da própria vida será o preço a ser pago pela redenção do mundo. Portanto, Deus conta com a fidelidade de seu povo na tarefa suprema da proclamação do Evangelho a todas as nações do mundo.
Mas, de que forma responderemos ao clamor do mundo?
CONCLUSÃO
Em Lucas 24.44-47, a ênfase é colocada sobre o fato de que todas as coisas previstas nas Escrituras se cumpriram no Calvário e, portanto, na manhã da ressurreição. O Novo Testamento6 ensina, apenas para relembrar aos irmãos, que a obra salvadora de Cristo deveria ser levada ao mundo, desde os primórdios da revelação de Deus, à raça eleita. Vejamos agora como o ensino objetivo, definido e claro do Novo Testamento, sobre a urgente tarefa de alcançar as nações com o Evangelho de Cristo e suas implicações:
Jesus ensina que o campo onde devemos realizar a obra missionária é o mundo, ou seja, todas as etnias; todos os povos sem qualquer distinção (Mt. 13.38a);
Jesus ensina que a obra missionária não conhece fronteiras, pois o campo é todo o mundo;
Jesus ensina que a obra missionária deve priorizar os que nunca ouviram o Evangelho da redenção (Rm 15.20);
E, finalmente, Jesus ensina que deixar de levar o Evangelho de Deus aos que nunca ouviram, é uma coisa vergonhosa para as suas igrejas.
Batistas amados, lembremos a ontológica afirma de Henri de Lubac: “Missões é a Missão da Igreja.” Portanto, tremenda e urgente é a tarefa que temos de realizar. Anunciemos Jesus no poder do Espírito Santo. Sim, somos chamados a anunciar o Evangelho às nações pelo Senhor da Igreja. Nos evangelhos neotestamentário, a evangelização do mundo “ethnessin” é a nossa suprema tarefa, pois, a palavra Éthnos7, além de significar ‘raça’, ‘povo’, ‘nação’, também aplica-se, às vezes, aos habitantes de uma simples província romana, pois qualquer povoação que tenha sua cultura, a sua língua, o seu modo de viver próprios, a sua ética, a sua índole característica e os seus costumes peculiares, enquadra-se na capacidade descritiva da palavra éthnos. Estão, desse modo, incluídas na declaração de Jesus e na sua ordem de evangelizar o mundo, as tribos além da civilização.
Mas, qual a ‘glória’ da obra missionária?
A glória da obra missionária é que os frutos permanecem por toda a eternidade. Em seu livro “O Que Deus Tem Feito”, o Dr. David Mein, Reitor Emérito do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil – grande pregador e missionário de saudosa memória -, se reporta a primeira impressão sobre o Brasil de William Buck Bagby, o pioneiro da obra missionária em nosso País. É um relato cheio de profunda emoção, espiritualidade e esperança de redenção para os brasileiros em Cristo Jesus. O seu magnífico texto diz:
Rio de Janeiro, 1º de Março de 1881… Estamos ancorados esta noite nas águas quentes do Rio de Janeiro. É o mais lindo panorama que os meus olhos jamais contemplaram. Não posso descrever a beleza dessa auréola de montanhas, enroupadas de verde e entremeadas de casas e capelas. Nunca vi a baía de Nápoles, nem de Constantinopla, mas esta certamente deve ser rival das paisagens mais encantadoras do mundo (…) olhando, porém, esta noite para o lindo panorama, cheio de luzes cintilando a beira mar, ao lado das montanhas, e quase confundindo-se com as estrelas, entristece-me o meu coração , por haver aqui milhares de almas sem Deus e sem esperança, sob a sombra de um triste eclipse! Oh! Deus, conceda que a tua verdade, conforme encontrada em Cristo Jesus, encha esta terra, de Norte a Sul, e do Atlântico aos Andes! 8
Em 15 de Outubro de 1882, cinco irmãos (membros fundadores), organizaram a Primeira Igreja Batista Brasileira em Salvador, Bahia. Eles plantaram a pequenina semente, mas, esta transformou-se numa frondosa e belíssima denominação com mais de Um milhão e meio de Batistas 9, uma vasta rede de colégios, seminários – só os oficiais, ligados à CBB, são três -, e uma vasta obra social e missionária no Brasil e no mundo. Porém, é preciso reconhecer que um século depois de iniciado o trabalho Batista no Brasil, ainda temos muito a fazer. Seremos fiéis a este legado? Hoje, com a crise de identidade e, consequentemente, a perda de muitas das nossas instituições centenárias, temos muito o que refletir. Contudo, mais que refletir é preciso agir em prol deste legado única de fé, liberdade e amor as almas perdidas. Assim, amados, que o Senhor nos capacite a continuar tão grande tarefa em nosso País e no mundo inteiro. O mundo jaz nas trevas, e espera que a mensagem do Evangelho lhes seja anunciada. Que a mensagem da redenção em Cristo Jesus, o Senhor, esteja em nossos lábios, igrejas e denominação, hoje e sempre. Amém.
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Pr. Antonio Sérgio de A. Costa, Th.D
Pastor da igreja Batista Bethléem em Vitória da Conquista, BA.
* SERMÃO PREGADO NA CONFERÊNCIA TEOLÓGICA DO STBNB.
CAPELA DO SEMINÁRIO, 26.10.99 – RECIFE, PE.
CITAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS
3.
4. Comentário do Novo Testamento, V/V, p. 9.
6. Ibid. Op. Cit. p.15,16.
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