Missiologia

NÃO SE ESQUEÇA DO “PEIXE” NA SEMANA SANTA

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NÃO SE ESQUEÇA DO “PEIXE” NA SEMANA SANTA

                                                                                                                                             Marcos Antonio Miranda Bittencourt *

A semana chamada “santa” de acordo com a tradição católica sempre me deixou uma curiosidade quanto a esse título. Por que uma semana do ano é santa e as outras cinqüenta e uma semanas não são. A vida dividida em dois compartimentos, um do sagrado e outro do profano é, de fato, um legado dos antigos gregos. Esse legado influenciou a mentalidade cristã ocidental e ainda continua bem forte. Veja, por exemplo, o carnaval. Nesse período, o indivíduo passa quase uma semana se esbaldando na farra, para chegar na quarta feira de cinzas e pedir o perdão a Deus por tudo o que fez de errado, até porque nessa quarta de cinzas tem início a quaresma, período de dedicação, consagração e jejum (como era na antiguidade) de carne e de vinho, até a semana santa. Na idade média, as festas satúrnicas oriundas de Roma, bem parecidas com o nosso carnaval, eram proibidas no período da páscoa cristã. O indivíduo se tornava demônio por um período e santo em outro e, depois, demônio novamente. Um tanto barroco, não é mesmo? O problema é que cada vez mais, muitas pessoas ditas católicas não observam essa regra. Veja que mesmo na quarta feira pós-carnaval ainda tem blocos e troças saindo nas ruas das cidades. Parece que confessam a religião com os lábios, mas enterraram Deus num caixão embalado por um trio elétrico ou uma banda de frevo.

Mas tem algo nesse processo que me intriga. É que a cristandade católica romana rejeita as carnes vermelhas por ocasião da semana santa. E isso ocorre, provavelmente, devido a dois fatores: primeiro, porque na teologia católica medieval as carnes vermelhas eram consideradas estimulantes do apetite sexual, ao lado de leite e ovos (S. Alberto Magno, Sec.XIII), sendo seu uso considerado impróprio num período de consagração e jejum, como era a semana santa; segundo, porque a morte de Jesus durante a páscoa lembra que a carne e o sangue do Salvador da humanidade foram expostos na cruz, constituindo-se, assim, numa afronta ao filho de Deus, o comer carne durante a semana santa, principalmente no dia da morte de Jesus, a sexta-feira santa. Curiosamente, essas práticas católicas opõem-se às práticas judaicas de celebração pascal, posto que um cordeiro era morto no dia da páscoa para celebrá-la através de algo que hoje chamamos “churrasco”. Assim, mobiliza-se todo um comércio em torno de alimentos, como o peixe, por exemplo, vendido a preços nada convidativos nessa época.

Os protestantes e evangélicos não se vêem presos a essa tradição e se permitem transgredi-la, mas em geral, participam do cardápio católico romano na sexta feira santa. Preferem lembrar-se de um outro “peixe”, aquele que, ao lado da cruz, é um dos símbolos mais antigos do Cristianismo. Como símbolo cristão, a palavra grega para peixe, “ichthys”, formava um acróstico e era dividida como segue: I (Je­sus); ch (Cristo); th (de Deus); y (Filho); s (Salva­dor). A frase grega, por inteiro, era: Ieosous Christós Theou hyiós, Soter, ou seja: Jesus Cris­to, Filho de Deus, Salvador. Os cristãos primitivos quando perseguidos pelo poder do império romano (a “besta” que emergiu do mar, em Apocalipse 13), identificavam-se através de linguagem codificada, desenhando um peixe no chão, na areia, na pedra ou na parede. É o que vemos no famoso filme “Quo vadis” (1951). Por causa dessa confissão de fé em Jesus, muitos cristãos foram mortos, verdadeiros mártires da fé. Jesus ressuscitou e o peixe lembrava aos cristãos antigos a sua condição de servos desse Cristo ressurreto e eterno. Por isso, é desse “peixe” que não devemos nos esquecer não só na semana santa, mas em todas as semanas do ano que santificamos para Deus, sem uma vida dividida em compartimentos, mas uma vida que seja toda para a Glória de Deus, mesmo que seja no comer ou no beber (I Coríntios 10:31). Não se esqueça do peixe !!!!

 

  • O autor é psicólogo clínico e mestre em Teologia, professor do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife, nas cadeiras de Introdução ao Antigo Testamento, Hebraico Bíblico, Teologia Bíblica do Antigo Testamento, Exegese Bíblica do Antigo Testamento e Hermenêutica Bíblica. Site: www.marcosbittencourt.com.br  Email: marcos-bitenca@ig.com.br

O SEGUNDO IMPERATIVO MISSIONÁRIO UNIVERSAL (Pr.Dr.Antonio Sérgio de Araújo Costa, Th.D)

O SEGUNDO IMPERATIVO MISSIONÁRIO UNIVERSAL

“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito santo, e ser-me-eis minhas testemunhas…” (Atos 1.8).

No segundo livro de Lucas, Atos dos Apóstolos, o Senhor Jesus ordena aos seus discípulos que sejam suas testemunhas em todas as nações. Trata-se de um imperativo transnacional; na realidade, de uma tarefa global. Desse modo, para espanto dos seus discípulos, o Senhor Jesus prestes a ascender aos céus, ordena que eles realizam uma tarefa para além das suas limitadas expectativas, ou seja, a evangelização das nações. Presos ainda a uma visão míope e estreita da tarefa que terão pela frente, perguntam: “… Senhor é neste tempo que restauras o reino a Israel? Assim, “enquanto eles pensavam apenas em Israel – numa clara demonstração de seu estreito nacionalismo -, o Senhor lhes indicava o mundo como campo missionário. Eles pensavam num reino temporal, com Israel no centro; Jesus, entretanto, num Reino espiritual universal. E, a seguir, de novo lhes ordena: “… Levantai os vossos olhos e vede os campos que já estão brancos para a Ceifa” (Jo 4.35 b). Infelizmente, como acentua John Macmurray: “A comunidade hebréia, para a qual Jesus apelou no sentido de se dedicar àquela tarefa, não estava preparada para se identificar individualmente com um companheirismo universal”.  

Contudo, é  preciso que perguntemos: de que modo um pequeno e inexpressivo grupo de homens alcançariam o mundo? 

A situação torna-se gritante, pois Jesus estava entregando tal tarefa a pessoas desprovidas de recursos de toda ordem. Eles eram humildes e das classes mais baixas da sociedade. Jesus, porém, é incisivo quanto à dimensão geográfica da tarefa evangelizadora: “… tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia, e Samária, e até os confins da terra”. Uma tão grande tarefa só poderia ser realizada com a presença e o poder do Senhor Jesus que lhes assegurou solenemente: “… e eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt. 28.20 b). E, ainda: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós, o Espírito Santo e ser-me-eis testemunhas” (Atos 1.8 a). E quanto a nós, temos também tal confiança na tarefa que também e nossa? Sim, pois somos testemunhas do Senhor e, portanto, do seu santo Evangelho, ‘poder de Deus para a salvação de todos os que crêm”. 

Segundo o livro dos Atos, os Apóstolos e os discípulos testemunharam no poder do Espírito Santo em Jerusalém, na Ásia e na Europa, chegando até Roma, a capital do Império, onde uma vigorosa comunidade cristã se estabeleceu. Esta comunidade, posteriormente, tornou-se uma das mais importantes igrejas da história do Cristianismo. Ao escrever aos romanos, Paulo lhes fala de um desejo: “Chegar até a Espanha” (Rm. 15.28). Não sabemos se ele realmente chegou, porém, o fato ilustra bem a sua visão missionária, isto é, alcançar todo o mundo com a pregação do Evangelho de Cristo, conforme o Senhor havia ordenado a sua Igreja. 

A tarefa urgente e gloriosa de alcançar o mundo com a pregação do Evangelho de Jesus Cristo – que “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que nele crê… ”(Rm 1.16 b), ainda não está terminada. Há muito o que fazer parta que tal desiderato seja cumprido. Pelo contrário, ainda hoje, segundo atestam as pesquisas missionárias, metade da humanidade nunca ouviu falar de Cristo. São quase três bilhões e meio de pessoas inteiramente perdidas, sem Cristo e sem salvação. E destes, a grande maioria encontra-se na Janela 10/40, um dos campos mais difíceis e resistentes, pois em sua grande maioria formado por muçulmanos. É algo para o qual devemos atentar e, sobretudo, pelo qual devemos orar insistentemente ao Senhor. Uma das estratégias para alcançá-los seria evangelizar os mesmos em cada país para onde estão estabelecidos. “Ide e pregai a toda criatura…” (Mc 16.15) e, portanto, isto inclui todos os povos do mundo, logo, também todos os muçulmanos. 

Ainda ressoa o clamor e a ordem do Senhor: “Rogai ao Senhor da seara para que mande ceifeiros” (Mt. 9.38). É tempo de despertarmos – orando, contribuindo financeiramente e, principalmente, indo aos campos brancos para a ceifa levar as boas novas de salvação (Jo 3.16; Rm 1.15,16). Portanto, eis um imperativo categórico: como Igreja de Jesus Cristo devemos orar a Deus nosso Pai, para muitos dos nossos jovens sejam chamados para a obra missionária no Brasil e no mundo. O mundo que vive em meio as trevas e que jaz no maligno espera, por mais contraditório que pareça, que o evangelho da redenção lhes seja pregado. E lembremo-nos: não há qualquer possibilidade de salvação a parte de Jesus Cristo, o único redentor e Senhor (Atos 2.37; 3.13-19; 16.31).

Amados, quem ouvirá o clamor das multidões que perecem e descem ao abismo? Quem se disporá diante do Senhor para testemunhar de Cristo até  aos confins da terra? Amados, o tempo é agora, e não há tempo a perder, pois os campos já estão brancos para a ceifa. O Salmista afirmou: “Aquele que leva a preciosa semente ando e chorando, voltará com alegria trazendo consigo os seus molhos” (Sl. 125.6). O evangelho de Marcos (16.19) acentua: “Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se a direita de Deus. E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, confirmando a Palavra com os sinais que se seguiram. Amem”. O Senhor ainda continua em seu trono e, contempla o desenrolar da história, sobretudo, da história de sua igreja na terra. Amados atentem para o seguinte: “não seremos atropelados pela história, mas arrebatados pelo Senhor da história!” (Pr. Gerson Rocha). O Senhor nos tem chamado e revestido de poder para que realizemos a evangelização das nações. Assim, que para tanto sejamos obedientes e fiéis ao chamado do Senhor das nossas vidas e da Igreja. Missões hoje e sempre. Amém! 

Antonio Sérgio de A. Costa, Th.D

Pastor da igreja Batista Bethléem em Vitória da Conquista, BA.

PREGAÇÃO E EXPANSÃO MISSIONÁRIA (Pr.Dr.Antonio Sérgio de Araújo Costa, Th.D.)

PREGAÇÃO E EXPANSÃO MISSIONÁRIA

 

TEXTO: Mat. 28.18-20

INTRODUÇÃO:

 

Há dois mil anos na Judéia ocupada e dominada por forças romanas, Jesus – o Nazareno, o Messias rejeitado pelos Judeus; Ele, que há pouco tempo havia sido crucificado por ordem de Pôncio Pilatos, o Governador da Judéia, agora, contudo, ressurreto e antes de ascender ao Pai Celestial – reuniu pela última vez os seus, um pequeno grupo – constituído pelos Onze Apóstolos e cerca de quinhentos discípulos, para lhes fazer saber mais uma vez o eterno plano de deus: salvar o mundo pela pregação do evangelho! Num monte da Galiléia, ecoou a voz do Salvador do mundo: “portanto ide, fazei discípulos de todas as nações… E eis que eu estou convosco todos os dias até á consumação dos séculos.”

A pregação neotestamentária é por natureza essencialmente missionária, pois, como diz corretamente Henri de Lubac1: “Missões é a Missão da Igreja.” É para isto que a igreja existe, ou seja, glorificar a Deus enquanto adora e, igualmente realiza a evangelização das nações. Deus estabeleceu apenas um alvo: alcançar e salvar o mundo pela pregação do evangelho de Jesus Cristo. É para isto que a Igreja existe.

Conforme os Evangelhos nos textos que consubstanciam a fundação da Igreja, os mesmos explicitam a sua Missão no mundo. Diz-nos Mateus: “… Fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28.19); Cena idêntica registra Marcos, onde as Palavras do Senhor  precede a Ascensão: “ … Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda  criatura”(Mc. 16.15); O relato de Lucas é marcante e esclarecedor: “Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer, e ressuscitar… e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados, a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas…” ( Luc. 24.45-49; At. 1.8). Em João, o Senhor ordena: “Como o Pai Me enviou assim Eu vos envio; depois soprando sobre eles diz-lhes: Recebei o Espírito Santo; aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados” ( Jo 20.16-23).

Estes textos notem bem, são a Carta de fundação da Igreja. Ora estes mesmos textos, são também a Carta de fundação das Missões. Na verdade, pela pregação do Evangelho a igreja cumpre a sua missão primordial no mundo, isto é, conduzir os pecadores a Cristo Jesus, o Salvador e Senhor. Assim, objetivamos nesta breve preleção demonstrar que a pregação é o elemento fundamental para a expansão da igreja de Cristo na terra, bem como de que todos os servos de Deus somos responsáveis pela realização da mesma (Mc 16.15; Atos 1.8).

 

A PREGAÇÃO QUE PROMOVE A EXPANSÃO MISSIONÁRIA…

 

  1. I.                   ESTÁ FUNDAMENTADA NO GRANDE IMPERATIVO DIVINO.

                  

 “PORTANTO IDE 2…”. No texto grego, a forma verbal está no particípio passivo aoristo, que literalmente dá a idéia de “enquanto indo”, pregai. Entretanto, em conjunção com o verbo “fazei”, a idéia está corretamente expressa como “indo, portanto, fazei”… Como discípulos de Jesus, nós temos de ir e fazer discípulos por toda a parte.

  1. Cumprir o IDE, significa fazer a vontade de Deus, o Pai.

2.    Cumprir o IDE, significa fazer a vontade de Jesus, o Senhor da igreja.

É relevante e profunda a afirmação de William Carey³, nomeado em 1793 pela Sociedade de Missões Estrangeiras da Inglaterra para servir na Índia. Considerado pelos estudiosos do movimento missionário, como o pai das missões modernas, ele disse:

Apesar de tudo, Deus está comigo. Sua Palavra é a verdade segura; e ainda que as superstições do paganismo fossem mil vezes piores do que são, ainda que fosse abandonado  pelos  meus  e perseguido por  todos,  minha  esperança,  fundada  na  Palavra viva  de  Deus, permanecerá  sobre  todos  os  obstáculos,  e  triunfará  de todas  as provas. A causa de Deus triunfará e eu sairei destas angústias qual ouro purificado pelo fogo.

       A PREGAÇÃO QUE PROMOVE A EXPANSÃO MISSIONÁRIA…

 

  1. II.                TEM COMO META SUPREMA  ALCANÇAR TODO O MUNDO

“… FAZEI DISCÍPULOS DE TODAS AS NAÇÕES…”

  1. O Deus Eterno Ordenou: fazei discípulos de todas as nações.
  2. Missões é a missão primordial da Igreja do Senhor Jesus.

Para realizar tão grande tarefa a igreja precisa ter a visão de seu Senhor. Ele diz aos seus discípulos:

“… Levantai os vossos olhos, e vede as terras que já estão brancas para a ceifa. E o que ceifa recebe galardão, e ajunta fruto para a vida eterna; para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem” (Jo. 4.35-36). No livro de Atos, Lucas define a “Grande Comissão” (Mateus 28.19,20), nos seguintes termos: “Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samária e até os confins da terra” (Atos 1.8). O texto, portanto, enfatiza a expansão geográfica da Igreja, desde Jerusalém até os confins da terra. A possibilidade de que muitos teriam de morrer como mártires, é ressaltada na expressão “marturion”, que indica testemunhar até morrer, se necessário (Atos 7.55-60).

Estamos comprometidos com a conquista das nações para Cristo?

A Igreja precisa mobilizar todas as suas forças para cumprir a Grande Comissão!

 

A PREGAÇÃO QUE PROMOVE A EXPANSÃO MISSIONÁRIA…

 

  1. III.             CONTA COM GRANDIOSAS PROMESSAS DO SENHOR.

 

“… E pregai a toda a criatura. E eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.

  1. A igreja compete levar o evangelho a toda a criatura. Eis sua missão intransferível!
  2. O Senhor prometeu abençoar com a sua presença a sua Igreja.

A presença do Senhor revigora e anima os fiéis na luta contra o mal e o pecado. O homem sem Deus e sem salvação é objeto do imensurável amor de Deus. A Igreja cabe alcançá-los com as boas novas de salvação. Pensando sobre o tema, Robertson, 4 afirmou:

Trata-se do mais sublime dos espetáculos contemplarmos o Cristo ressurreto sem dinheiro, exército ou Estado, a encarregar o seu grupo de Quinhentos homens e mulheres da conquista do mundo, levando-os a crer ser possível realizar tal tarefa com  tão  séria  paixão e poder. O Pentecostes ainda viria, mas a fé dinâmica já orientava os crentes naquela montanha da Galiléia.

Em Atos 2.1ss, logo após a descida do Espírito Santo, Lucas enfatiza que estavam presentes em Jerusalém, por ocasião do Pentencostes, “… Judeus e prosélitos de todas as nações.” Toda aquela multidão reunida representava para Lucas o início do cumprimento da Grande Comissão, da evangelização do mundo inteiro. Nada deve deter o plano de Deus, pois somente Jesus pode salvar o pecador perdido de todas as nações. O Pr. Gerson Rocha 5, refletindo sobre a obra missionária, conta-nos de uma entrevista interessante:

 

Quando perguntei ao missionário Gunther Carlos, que trabalha entre os índios Xerentes: “Por que você está tão magro?” – Ele respondeu: “Deus não pede só a nossa alma, mas pede também o nosso corpo para que seja apresentado a Ele como sacrifício vivo, santo e agradável. Nesta obra entre os índios, o corpo tem que ser entregue mesmo. Sei que estou magro, mas não vivo para preparar um grande banquete para os vermes. Quando eu partir para estar com Cristo,  os  vermes  nada  terão senão ossos para se banquetear.

 

Muitas vezes o sacrifício da própria vida será o preço a ser pago pela redenção do mundo. Portanto, Deus conta com a fidelidade de seu povo na tarefa suprema da proclamação do Evangelho a todas as nações do mundo.

Mas, de que forma responderemos ao clamor do mundo?

CONCLUSÃO

Em Lucas 24.44-47, a ênfase é colocada sobre o fato de que todas as coisas previstas nas Escrituras se cumpriram no Calvário e, portanto, na manhã da ressurreição. O Novo Testamento6 ensina, apenas para relembrar aos irmãos, que a obra salvadora de Cristo deveria ser levada ao mundo, desde os primórdios da revelação de Deus, à raça eleita. Vejamos agora como o ensino objetivo, definido e claro do Novo Testamento, sobre a urgente tarefa de alcançar as nações com o Evangelho de Cristo e suas implicações:

Jesus ensina que o campo onde devemos realizar a obra missionária é o mundo, ou seja, todas as etnias; todos os povos sem qualquer distinção (Mt. 13.38a);

Jesus ensina que a obra missionária não conhece fronteiras, pois o campo é todo o mundo;

Jesus ensina que a obra missionária deve priorizar os que nunca ouviram o Evangelho da redenção (Rm 15.20);

E, finalmente, Jesus ensina que deixar de levar o Evangelho de Deus aos que nunca ouviram, é uma coisa vergonhosa para as suas igrejas.

Batistas amados, lembremos a ontológica afirma de Henri de Lubac: “Missões é a Missão da Igreja.” Portanto, tremenda e urgente é a tarefa que temos de realizar. Anunciemos Jesus no poder do Espírito Santo. Sim, somos chamados a anunciar o Evangelho às nações pelo Senhor da Igreja. Nos evangelhos neotestamentário, a evangelização do mundo “ethnessin” é a nossa suprema tarefa, pois, a palavra Éthnos7, além de significar ‘raça’, ‘povo’, ‘nação’, também aplica-se, às vezes, aos habitantes de uma simples província romana, pois qualquer povoação que tenha sua cultura, a sua língua, o seu modo de viver próprios, a sua ética, a sua índole característica e os seus costumes peculiares, enquadra-se na capacidade descritiva da palavra éthnos. Estão, desse modo, incluídas na declaração de Jesus e na sua ordem de evangelizar o mundo, as tribos além da civilização.

Mas, qual a ‘glória’ da obra missionária?

A glória da obra missionária é que os frutos permanecem por toda a eternidade. Em seu livro “O Que Deus Tem Feito”, o Dr. David Mein, Reitor Emérito do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil – grande pregador e missionário de saudosa memória -, se reporta a primeira impressão sobre o Brasil de William Buck Bagby, o pioneiro da obra missionária em nosso País. É um relato cheio de profunda emoção, espiritualidade e esperança de redenção para os brasileiros em Cristo Jesus. O seu magnífico texto diz:

 

Rio de Janeiro, 1º de Março de 1881… Estamos ancorados esta noite nas águas quentes do Rio de Janeiro. É o mais lindo panorama que os meus olhos jamais contemplaram. Não posso descrever a beleza dessa auréola de montanhas, enroupadas de verde e entremeadas de casas e capelas. Nunca vi a baía de Nápoles, nem de Constantinopla, mas esta certamente deve ser rival das paisagens mais encantadoras do mundo (…) olhando, porém, esta  noite  para  o  lindo  panorama,  cheio  de  luzes cintilando a beira mar, ao lado das montanhas, e quase confundindo-se  com  as  estrelas, entristece-me o meu coração , por haver aqui milhares de almas  sem  Deus e sem esperança, sob a sombra de um triste eclipse! Oh! Deus, conceda que a tua verdade, conforme encontrada em Cristo Jesus, encha esta terra, de Norte a Sul, e do Atlântico aos Andes! 8

Em 15 de Outubro de 1882, cinco irmãos (membros fundadores), organizaram a Primeira Igreja Batista Brasileira em Salvador, Bahia. Eles plantaram a pequenina semente, mas, esta transformou-se numa frondosa e belíssima denominação com mais de Um milhão e meio de Batistas 9, uma vasta rede de colégios, seminários – só os oficiais, ligados à CBB, são três -, e uma vasta obra social e missionária no Brasil e no mundo. Porém, é preciso reconhecer que um século depois de iniciado o trabalho Batista no Brasil, ainda temos muito a fazer. Seremos fiéis a este legado? Hoje, com a crise de identidade e, consequentemente, a perda de muitas das nossas instituições centenárias, temos muito o que refletir. Contudo, mais que refletir é preciso agir em prol deste legado única de fé, liberdade e amor as almas perdidas. Assim, amados, que o Senhor nos capacite a continuar tão grande tarefa em nosso País e no mundo inteiro. O mundo jaz nas trevas, e espera que a mensagem do Evangelho lhes seja anunciada. Que a mensagem da redenção em Cristo Jesus, o Senhor, esteja em nossos lábios, igrejas e denominação, hoje e sempre. Amém.

____________________________________

Pr. Antonio Sérgio de A. Costa, Th.D

Pastor da igreja Batista Bethléem em Vitória da Conquista, BA.

* SERMÃO PREGADO NA CONFERÊNCIA TEOLÓGICA DO STBNB.

CAPELA DO SEMINÁRIO, 26.10.99 – RECIFE, PE.

CITAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS


3.    

4.    Comentário do Novo Testamento, V/V, p. 9.

5.    Gerson Rocha. Quem há de ir por nós? Editora Batista Bíblica, p. 74.

6.    Ibid. Op. Cit. p.15,16.

7.    Ibid. Op. Cit.p.16.

8.    David Mein. O que Deus tem feito? JUERP.

A importância do papel do “Destino Manifesto” na consciência dos missionários(as) protestantes norte-americanos(as), na fundação das suas escolas conf

 

68d4d9e4cddb897a32a8866b8d40b457 A importância do papel do “Destino Manifesto” na consciência dos missionários(as) protestantes norte americanos(as), na fundação das suas escolas confA importância do papel do “Destino Manifesto” na consciência dos missionários(as) protestantes norte-americanos(as), na fundação das suas escolas confessionais no Brasil.

Desde 1992, sou professor de classe de Escola Dominical. Mas, neste ano aceitei o desafio de lecionar Filosofia para o Ensino Médio em escola do Governo do Estado de São Paulo. Embora não tendo uma formação especifica em Filosofia, recebi esta atribuição em razão do conteúdo de algumas disciplinas da minha graduação em Teologia. Esta nova experiência tem sido muito agradável, o que motivou a busca de maior qualificação para atuar na área docente.

No ano de 2004, quando participava da primeira turma do Curso de Especialização em Estudos Wesleyanos, em nível de Pós-Graduação Lato –Senso oferecido pelas instituições: Universidade Metodista de São Paulo, Universidade Metodista de Piracicaba e Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, tive contato, através da disciplina Metodismo, Educação e Sociedade no Brasil ministrada pelo professor Dr. Elyeser Barreto Cezar, com o tema “Destino Manifesto”, a ideologia, que se difundiu entre os norte-americanos a partir da metade do século XIX, que fazia deles uma espécie de povo eleito, uma nação especialmente escolhida por Deus para cumprir uma missão universal. Era o mais atual empenho de Deus para salvar a raça humana. No momento, meu desejo é conhecer melhor a proposta missionária norte-americana e conferir os seus resultados, isto certamente vai levar-me a buscar mais informações com vistas à sua explicação mais sistemática.

A Igreja Protestante norte-americana, no século XIX, via-se responsável pela dupla missão de promover o bem-estar geral da nação e de difundir na sociedade os princípios bíblicos, únicos capazes de criar um modelo mais superior de civilização. Este modelo de civilização, o de civilização cristã, na segunda metade do século XIX, vai se firmar na sociedade norte-americana, onde os seus ideais, as suas convicções, os seus hábitos e as suas instituições estão tão ligados aos princípios cristãos, que a própria cultura do lugar é sustentada pela fé cristã. Neste período, acontece o expressivo desenvolvimento econômico dos Estados Unidos, o que trouxe maior convicção e a confirmação de ser este o modelo de civilização cristã a ser seguido por outras nações. Daí, a idéia da introdução deste modelo de civilização pelas agências missionárias nos países menos desenvolvidos para torná-los mais dinâmicos e contribuirá para a sua evolução.

Então, o que fez acontecer o trabalho missionário da Igreja Protestante em terras brasileiras foi a fé, não apenas no conteúdo bíblico do Evangelho de Cristo, mas na eficácia da mensagem da experiência civilizatória norte-americana, como projeto de Deus, como projeto de vida para as outras nações, aqui, mais especificamente para o Brasil. Desse projeto missionário, fazia parte a Educação. Educava-se para fazer evangelização e evangelizava-se para educar. Portanto, evangelizava-se e educava-se para civilizar.

O projeto civilizatório norte-americano no Brasil contemplava a educação das elites. Os missionários imaginavam um futuro onde os educados em suas instituições de ensino, ocuparão os primeiros lugares nas indústrias e profissões, no Estado, na Igreja, nos lares e na vida social do Brasil. A iniciativa educacional evangélica cristã entre a juventude brasileira tinha o fim de formar os que, segundo eles, serão os grandes reformadores da vida política, social e religiosa do Brasil, isto é, o objetivo era formar a liderança brasileira, os futuros dirigentes da nação que iriam promover as reformas para instalação do modelo norte-americano de civilização cristã.

Assim, a fundação das escolas confessionais dos(as) missionários(as) norte-americanos(as) tinha como objetivo principal a formação da classe dirigente, transferindo-lhes elementos da cultura norte-americana para que indiretamente toda nação seja alcançada pelo ideal de civilização cristã.

Portanto, o tema que escolhi para pesquisar diz respeito à prática educacional e confissão religiosa e, também, a visão romântica e de fé dos missionários(as) protestantes norte-americanos(as) que acreditavam serem possuidores da verdade e por isso trabalhavam com a certeza de que eram participantes de um destino maravilhoso, que lhes davam a condição especial, membros do Novo Israel de Deus, de portadores de uma visão mais acertada e definitiva do mundo.

Elias Martins de Oliveira

Professor de Escola Dominical, Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de Bauru – Universidade Metodista de São Paulo – Especialista em Estudos Wesleyanos – Pós-Graduação – Lato- Senso – UNIMEP/UMUSP/Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, Membro da Igreja Metodista de Avaré – SP, Professor de Filosofia, Ensino Médio – Escola Pública SP.

Beijing 2008 – Competição, Fraternidade e Perseguição (Pr Alfredo Oliveira Silva)

 

1766957684334fbe6a4e66d088fbb75a Beijing 2008 – Competição, Fraternidade e Perseguição (Pr Alfredo Oliveira Silva)Beijing 2008 – Competição, Fraternidade e Perseguição

Pastor Alfrêdo Oliveira Silva

Durante o mês de agosto o mundo voltará seus olhos para a República Popular da China, e em especial para Beijing (Pequim) cidade sede das olimpíadas de 2008. Atletas, torcedores, jornalistas, turistas e pessoas vindas dos quatro cantos do mundo, chegarão à capital que conta com mais de 17 milhões de habitantes , mais que o dobro de habitantes de todo o Estado de Pernambuco .

O que será visto por milhares de pessoas ao redor do mundo, não serão as belezas naturais de um país continente; os altos índices da economia que mais cresce nos últimos trinta anos; nem as riquezas de uma cultura milenar retratadas na grande muralha, na praça da paz celestial, na cidade proibida, no Templo do Céu, ou qualquer outra atração do ex-Império Celeste. O mundo olhará para os atletas olímpicos.

As atenções estarão voltadas para pessoas do mundo inteiro que competirão em busca de medalhas de ouro, prata e bronze, em várias modalidades. Cada um representando seu país e tentando superar-se, e aos outros competidores. O espírito olímpico está na alma ocidental que compete e estimula a competitividade. A prática de esportes é prazerosa, saudável e recomendável, mas a competitividade selvagem do dia-a-dia não.

Embora as olimpíadas se apresentem como um evento de congraçamento entre nações, o espírito que predomina é o da competitividade – que vença o melhor – e não o da fraternidade, ideal proposto pelo Cristianismo. Nas olimpíadas os melhores, e com melhores condições de preparo, vencerão e serão recompensados. Nem todos ganharão medalhas, mas todos perseguirão a glória olímpica.

Para o Cristianismo, os valores são outros. Mais importante que a competição e a vitória, é o exercício da cooperação e da ajuda mútua, o exercício da fraternidade. Cristãos são irmãos, e irmãs, e devem ser vistos como colaboradores e não competidores, o Espírito que nos impulsiona é fraterno. Nada contra o evento olimpíadas que ocorre a cada quatro anos, tudo a favor de uma vida fraterna e cooperadora vinte e quatro horas por dia, doze meses por ano.

Ao olhar e torcer pelos atletas, devemos ter em mente que na vida somos companheiros de jornada e estamos no mesmo time, e como cristãos representamos o mesmo Reino, o Reino de Deus.

Mas, há outra coisa a ser observada durante as olimpíadas, e que certamente não ocupará o centro dos noticiários. Trata-se da igreja cristã chinesa. A China tem uma das igrejas mais crescentes e vigorosas do mundo, embora sofra perseguições . Os cristãos perseguidos, aqueles que, em sua maioria, não estão nas igrejas registradas, devem ser lembrados. Pastores presos, locais de culto atacados, multas e confiscos de Bíblias, são algumas das restrições sofridas por estes nossos irmãos.

Neste tempo em que o mundo olha para a China, é preciso conhecer e dar visibilidade ao sofrimento de cristãos – tanto católicos quanto protestantes e batistas –, e de pessoas de outros grupos religiosos como os confucionistas, budistas tibetanos, islamitas, que também sofrem restrições ao exercício de sua fé . Na classificação de países por perseguição, a China ocupa o décimo lugar .

Durante as olimpíadas os cristãos são desafiados a enxergar além das competições e medalhas, que se espera nossos atletas tragam; É preciso enxergar a realidade da vida fora dos estádios, que acontece por trás dos refletores e longe das câmeras da propaganda oficial.

É preciso enxergar as necessidades e sofrimentos dos cristãos chineses, e demonstrar a nossa solidariedade através de cartas e e-mails, além de interceder junto às autoridades por mais liberdade.

É tempo de estimular e viver a fraternidade. A existência fraterna conduzirá a sociedade para uma cultura que promova a dignidade humana. Em uma sociedade fraterna a vida, saúde, segurança, educação, alimentação, trabalho, moradia, liberdade religiosa e tantos outros, são direitos de todos e não privilégio de alguns. No dia a dia os seres humanos devem perceber-se como cooperadores, e não competidores, ajudadores, e não concorrentes. Que as olimpíadas ajudem a promover a paz e a liberdade na China.

Soli Deo Gloriæ!

Referências

http://www.forum18.org/Analyses.php?region=3 acessado em 1º de julho de 2008 às 22h12.

http://www.portasabertas.org.br/classificacao/ acessado em 1º de julho de 2008 às 22.15.