História

NÃO SE ESQUEÇA DO “PEIXE” NA SEMANA SANTA

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NÃO SE ESQUEÇA DO “PEIXE” NA SEMANA SANTA

                                                                                                                                             Marcos Antonio Miranda Bittencourt *

A semana chamada “santa” de acordo com a tradição católica sempre me deixou uma curiosidade quanto a esse título. Por que uma semana do ano é santa e as outras cinqüenta e uma semanas não são. A vida dividida em dois compartimentos, um do sagrado e outro do profano é, de fato, um legado dos antigos gregos. Esse legado influenciou a mentalidade cristã ocidental e ainda continua bem forte. Veja, por exemplo, o carnaval. Nesse período, o indivíduo passa quase uma semana se esbaldando na farra, para chegar na quarta feira de cinzas e pedir o perdão a Deus por tudo o que fez de errado, até porque nessa quarta de cinzas tem início a quaresma, período de dedicação, consagração e jejum (como era na antiguidade) de carne e de vinho, até a semana santa. Na idade média, as festas satúrnicas oriundas de Roma, bem parecidas com o nosso carnaval, eram proibidas no período da páscoa cristã. O indivíduo se tornava demônio por um período e santo em outro e, depois, demônio novamente. Um tanto barroco, não é mesmo? O problema é que cada vez mais, muitas pessoas ditas católicas não observam essa regra. Veja que mesmo na quarta feira pós-carnaval ainda tem blocos e troças saindo nas ruas das cidades. Parece que confessam a religião com os lábios, mas enterraram Deus num caixão embalado por um trio elétrico ou uma banda de frevo.

Mas tem algo nesse processo que me intriga. É que a cristandade católica romana rejeita as carnes vermelhas por ocasião da semana santa. E isso ocorre, provavelmente, devido a dois fatores: primeiro, porque na teologia católica medieval as carnes vermelhas eram consideradas estimulantes do apetite sexual, ao lado de leite e ovos (S. Alberto Magno, Sec.XIII), sendo seu uso considerado impróprio num período de consagração e jejum, como era a semana santa; segundo, porque a morte de Jesus durante a páscoa lembra que a carne e o sangue do Salvador da humanidade foram expostos na cruz, constituindo-se, assim, numa afronta ao filho de Deus, o comer carne durante a semana santa, principalmente no dia da morte de Jesus, a sexta-feira santa. Curiosamente, essas práticas católicas opõem-se às práticas judaicas de celebração pascal, posto que um cordeiro era morto no dia da páscoa para celebrá-la através de algo que hoje chamamos “churrasco”. Assim, mobiliza-se todo um comércio em torno de alimentos, como o peixe, por exemplo, vendido a preços nada convidativos nessa época.

Os protestantes e evangélicos não se vêem presos a essa tradição e se permitem transgredi-la, mas em geral, participam do cardápio católico romano na sexta feira santa. Preferem lembrar-se de um outro “peixe”, aquele que, ao lado da cruz, é um dos símbolos mais antigos do Cristianismo. Como símbolo cristão, a palavra grega para peixe, “ichthys”, formava um acróstico e era dividida como segue: I (Je­sus); ch (Cristo); th (de Deus); y (Filho); s (Salva­dor). A frase grega, por inteiro, era: Ieosous Christós Theou hyiós, Soter, ou seja: Jesus Cris­to, Filho de Deus, Salvador. Os cristãos primitivos quando perseguidos pelo poder do império romano (a “besta” que emergiu do mar, em Apocalipse 13), identificavam-se através de linguagem codificada, desenhando um peixe no chão, na areia, na pedra ou na parede. É o que vemos no famoso filme “Quo vadis” (1951). Por causa dessa confissão de fé em Jesus, muitos cristãos foram mortos, verdadeiros mártires da fé. Jesus ressuscitou e o peixe lembrava aos cristãos antigos a sua condição de servos desse Cristo ressurreto e eterno. Por isso, é desse “peixe” que não devemos nos esquecer não só na semana santa, mas em todas as semanas do ano que santificamos para Deus, sem uma vida dividida em compartimentos, mas uma vida que seja toda para a Glória de Deus, mesmo que seja no comer ou no beber (I Coríntios 10:31). Não se esqueça do peixe !!!!

 

  • O autor é psicólogo clínico e mestre em Teologia, professor do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife, nas cadeiras de Introdução ao Antigo Testamento, Hebraico Bíblico, Teologia Bíblica do Antigo Testamento, Exegese Bíblica do Antigo Testamento e Hermenêutica Bíblica. Site: www.marcosbittencourt.com.br  Email: marcos-bitenca@ig.com.br

O NOME BATISTA – Charles W. Deweese

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                     Autor: Charles W. Deweese

Por volta do ano de 1600 os Batistas receberam seu nome por meio da prática de batismo por imersão. Esta prática contrariava diretamente a alma e o coração das igrejas estatais da Inglaterra e da colônia americana (atuais Estados Unidos), que praticavam o batismo infantil.

Assim sendo, estas igrejas estatais perseguiram os dissidentes batistas de forma severa. Os Batistas não entraram na história da humanidade como uma inócua fé alternativa. Entretanto, eles marcharam para as prisões de 1600 defendendo a liberdade religiosa para todas as pessoas, independentemente de credo. A defesa contínua da liberdade de batismo e da fé fez do nome Batista um modelo respeitável de fé para os dias de hoje.

O nome Batista, no sentido mais significativo, descreve um movimento, não uma denominação. Denominações, com estruturas e teologias variadas, vão e voltam, e constantemente mudam. O movimento Batista baseado em valores bíblicos, surgiu há 400 anos, cresceu em meio a crises e controvérsias, se consolidou como uma opção viável de expressão de fé cristã no século XXI.

O nome BATISTA representa uma poderosa relação de valores do movimento Batista:

Batistas defendem uma sólida afirmação do senhorio de Cristo.

Eles vêem a Bíblia como a única autoridade escrita dos Batistas.

Eles defendem a liberdade de religião e separação entre Igreja e Estado.

Eles insistem somente no batismo de pessoas decididas.

Eles defendem uma Igreja composta de pessoas regeneradas e batizadas.

Eles enfatizam o caráter ministerial de cada fiel.

Eles apoiam dissidentes quando necessário.

Eles tocam os sinos da liberdade em favor dos oprimidos.

Eles oferecem possibilidades democráticas para os tiranizados.

Eles pronunciam justiça contra a violência.

Eles oferecem paz para aqueles que estão fatigados pela guerra.

Eles clamam por integridade contra as invasões do secularismo.

Eles destacam a verdade como a marca da identidade cristã.

Eles reconhecem que a Igreja e (ou) o Estado podem se equivocar na tomada de decisões e que os indivíduos nunca devem vender suas almas para qualquer instituição ou se submeter a indivíduos ou organizações. Eles são responsáveis individualmente diante de Deus.

Retirado do boletim dominical da Primeira Igreja Batista de Manaus, Pastor Norton Lages